REVISTA BICICLETA ENCONTRA A TRAVESSIA,DE CHARLES ZIMMERMANN

Revista Bicicleta encontra a Travessia, de Charles Zimmermann
Foto: Arquivo Pessoal / Charles Zimmermann















Revista Bicicleta encontra a Travessia, de Charles Zimmermann

Um livro muito bem-vindo chega até nós, direto das mãos e do sorriso de eterno menino de seu autor. O jovem Charles Zimmermann, de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, traz um olhar sobre as paisagens e sobre as pessoas com as quais cruzou em 747 dias de bicicleta pelo mundo.
O autor de Nos Confins do Oriente, Estrada para o grande deserto, Terra Estrangeira e Deserto Feliz, nos oferece uma obra de texto e fotos reveladoras, desmistificando algumas questões que, em muito, habitam o imaginário coletivo e o senso comum preconceituoso sobre o desconhecido. Aquilo que não é conhecido, não necessariamente, deve ser ruim. Há tanta coisa linda naquilo que não conhecemos, oferta o autor.
Charles conviveu com comunidades que só conhecemos através de alguns programas televisivos, pedalou por paisagens de sonho, mas principalmente, viveu minuto a minuto uma experiência emocionante.
Nada de desafios, apenas pedalar, simplesmente. Nada de extraordinário, apenas passar horas a fio entre gente tão linda, quanto simples; tão iguais a mim ou a você.
Sentamos para tomar um café à mesa de uma boa confeitaria, e entre sorrisos e coincidências, o olhar das estradas permitiu que o assunto fosse tanto para as horas tão curtas quanto justas.
O horizonte geográfico de Zimmermann estava tomado de cultura, simplicidade e de paixão, como demonstram tanto as palavras introdutórias do renomado escritor e jornalista Fernando Gabeira, quanto o auto-prefácio dedicado à figura do seu incentivador, o ilustre cicloviajante Pe. Valdo (Valdecir João Vieira, encontrado morto por causas naturais dentro de sua barraca em 24 de fevereiro de 2010, na Baja Califórnia, costa mexicana, aos 65 anos de idade, e que estava dando a volta ao mundo, tendo percorrido 11.689 km até aquele momento).
É uma obra literária que se soma, intimista, a outras tão bem conhecidas e apreciadas, como as do querido Olinto, do Argus, do estimado Aurélio, do Arthur, do Fantinatti, do Danilo Homem Livre, enfim.
Não se trata de mais um livro, porque sempre é bem mais que isto. Não haverão roteiros e recordes de pedaladas. Assim como seus antecessores, Charles nos leva para tais lugares através de sua escrita rica sem frufrus, nos colocando ao lado dele em uma praia da Indonésia, cruzando com elefantes em Chiang Mai (Tailândia), na ‘pura vida’ Costa Rica ou, tão simplesmente, nas imensidões sonhadas do Atacama.
Salamat Datang (bem-vindo) à Travessia de Charles Zimmermann.

Fonte:http://www.revistabicicleta.com.br/bicicleta.php?revista_bicicleta_encontra_a_travessia_de_charles_zimmermann&id=4623007


Novo livro do catarinense Charles Zimmermann conta as aventuras de uma viagem de bicicleta por 40 países

Novo livro do catarinense Charles Zimmermann conta as aventuras de uma viagem de bicicleta por 40 países  Divulgação/0
Ciclista começou o roteiro na Nova Zelândia e passou por outros 39 paísesFoto: Divulgação / 0
Dois rostos pela metade estampam a capa do novo livro do catarinense Charles Zimmermann. Divididas ao meio, as fotografias fazem pensar que as mulheres ali retratadas são a mesma pessoa. Mal sabe o leitor que elas estão separadas por 8 mil quilômetros. A discrepância, diz o autor, é proposital: apesar da distância, ele quis mostrar que somos todos iguais. E foi justamente a crença na igualdade que deu início a Travessia - 747 Dias de Bicicleta pelo Mundo, obra que sintetiza a arte de rever e descobrir o que existe do outro lado do globo. O lançamento em Blumenau está marcado para as 19h30min de quinta-feira nas Livrarias Catarinense do Neumarkt Shopping.

O projeto começou em 2004, quando Charles decidiu largar tudo e embarcar rumo ao desconhecido. Mochila nas costas, optou pela bike como meio de transporte. O roteiro de pouco mais de dois anos por quatro continentes começou na Nova Zelândia e foi trilhado em outros 39 países. No total foram 2 mil quilômetros percorridos. 

— A bicicleta me levou a lugares mais distantes, não imaginava a quantidade de coisas que podia ver. Notei a vida cotidiana onde moradores fazem alongamentos, estendem roupas lavadas, criam galinhas e crianças e fazem seus trabalhos diários na frente de suas casas — comenta o escritor.

::: Entrevista: Escritor e ciclista conta como foram os 747 dias pedalando
"A bicicleta nos faz viajar na velocidade das pessoas", diz o escritor e ciclista Charles Zimmermann Divulgação/0
Charles conta que acampou em jardins, tomou banhos de balde e conheceu diferentes culturasFoto: Divulgação / 0
A bicicleta faz a viagem ficar mais lenta, permitindo a observação da paisagem e a percepção de aromas e outras sensações. O escritor e ciclista  Charles Zimmermann conta detalhes da jornada de 747 dias pelo mundo sobre duas rodas. Confira: 
Como foi a sua rotina durante essa jornada?
Comia a comida local e sempre carregava bananas comigo. Metade dos 747 dias acampei no jardim das residências, na beira do mar, de lagos ou em estruturas de campings. A outra parte dos dias fiquei em hostels e pousadas baratas. O banho era escasso, às vezes por não haver eletricidade ou atravessar áreas com pouca água. Tomei muitos banhos de baldes com água barrenta. Quando pedalava próximo à costa tomava banho de mar, e nem todos os dias era água doce.
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Por que decidiu fazer a viagem de bicicleta? 
A bicicleta proporciona viajar na velocidade das pessoas, você pode cumprimentá-las e elas podem cumprimentar você. Vejo mais de bicicleta. Posso sentir o calor, o frio, sentir a chuva e o vento, os cheiros e os aromas.
Qual foi o lugar mais marcante que você visitou? 
A Índia sempre é marcante. Nessa viagem de bicicleta foi a terceira vez que fui até lá e cada vez aprendo mais com o país. Fui à Índia na época das monções. São chuvas de duas horas por dia, e pelo resto do dia o sol brilha. Mas eu não sabia que essas chuvas eram tão fortes. Era impossível tomar banho de chuva e tudo ao redor ficava alagado por duas ou três horas. E as monções são desejadas. Pessoas saem para caminhar com água nos joelhos pelas ruas afora. Numa cafeteria, ao redor de uma mesa onde colocavam copos de vidros com chai (tradicional chá com leite), homens celebravam a chuva: a água estava acima de seus joelhos.
Lembra de alguma história curiosa?
De bicicleta eu era sempre o coitado. Na Malásia, um grupo de turistas indianos que me encontrou num restaurante de beira de estrada onde parei pra tomar água de coco veio a mim. De maneira insistente perguntavam por que não viajava de ônibus. Não compreendiam porque estava de bicicleta. Num determinado momento um homem desse grupo puxou do bolso uma cédula de 100 dólares e me deu. Disse: "Agora você vai de ônibus, esse dinheiro aqui paga um bom trecho para você viajar".
Pensou alguma vez em desistir?
Sim, com certeza, no início. Às vezes me perguntava por que estava lá. O pensamento vinha à tona em trechos monótonos, onde cobria longas distâncias com plantações de palmeira para extração de óleo, muito comuns na Ásia, ou trechos de subidas longas, dias de ventos contrários... Por isso também comecei na Nova Zelândia, o país mais distante da viagem, transmitindo a sensação psicológica de estar sempre voltando para casa.

Charles não é o primeiro a procurar na literatura um espaço para compartilhar suas aventuras ciclísticas. Ano passado a jornalista Letícia Coimbra lançou Pedalando no Campo de Estrelas - De Bicicleta no Caminho de Santiago. Já em De Volta à Vida, de 2004, o atleta Lance Armstrong mostra como superou o câncer para se tornar um dos maiores ciclistas de todos os tempos. Em uma busca rápida pelo site da Livraria Cultura, pelo menos cinco títulos de autores brasileiros podem ser encontrados.

— A literatura de viagens é uma tradição que remonta ao princípio do século XIX. Aventureiros como Richard Burton correram o mundo e depois compartilharam suas experiências em livros que fizeram enorme sucesso entre o público europeu. Relatos de viagens sobre duas rodas são um desdobramento espontâneo dessa tendência: conjugam a tradição dos grandes aventureiros a ideologias contemporâneas como a proteção do meio-ambiente e o reencontro com a mãe natureza — explica o escritor Maicon Tenfen.

Nas 259 páginas de Travessia, Charles revela os percalços e aprendizados da viagem. Ele conta que para lembrar de cada detalhe mantinha diários nos quais escrevia quase todas as noites antes de dormir. Além dos relatos por escrito, o autor documentou várias imagens — mais de 100 delas reproduzidas no livro, que mais tarde foi viabilizado por meio do Prêmio Elisabete Anderle. 

A ciclista Marines Ronchi, que leu a obra, diz que a narrativa de Charles captou o espírito aventureiro dos apaixonados pela bike:

— Me identifiquei perfeitamente por já ter feito quatro viagens de bike pelo mundo. Mesmo que eu não fosse ciclista teria gostado da obra, pois ela nos faz viajar. Aventurar-se pelo mundo de bicicleta requer muita coragem e desprendimento — avalia.

Mesmo já tendo vivido o que muita gente considera a experiência de uma vida, o escritor não descarta um repeteco no futuro:

— Tenho planos de realizar uma nova viagem mundo afora de bicicleta. Gostaria muito de ir ao Japão pedalar, sou fascinado pela cultura japonesa. Pedalar as grandes distâncias da Austrália... São planos — finaliza Charles.
Fonte:http://jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/lazer-e-cultura/noticia/2015/03/novo-livro-do-catarinense-charles-zimmermann-conta-as-aventuras-de-uma-viagem-de-bicicleta-por-40-paises-4724357.html

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