AGRICULTURA BIODINÂMICA - ANALOGIA ANTROPOSÓFICA A PARTIR DOS ENSINAMENTOS DE PARACELSO


AGRICULTURA BIODINÂMICA - ANALOGIA ANTROPOSÓFICA A PARTIR DOS ENSINAMENTOS DE PARACELSO

Muitas pessoas escolhem o dia de cortar o cabelo de acordo com as fases da Lua. Mas poucas sabem que as plantas também têm data certa para ser “aparadas”. “As forças cósmicas influenciam tudo na Terra, inclusive as ervas”, diz José Roberto Lazzarine, diretor médico da Weleda, grupo empresarial internacional que produz medicamentos e preparados para o corpo.

O reconhecimento da influência dos astros sobre as plantas não é recente. O estudo do tema vem de longa data e teve como um de seus pioneiros o médico, alquimista e astrônomo suíço Paracelso (1493-1541). Autor de obras de referência nessa área, ele, ainda na Idade Média, uniu a astrologia à botânica, afirmando que a fitoterapia sofria influências astrológicas.
Atualmente, o cultivo vegetal seguindo as “leis dos astros” tem seus principais representantes nos adeptos da agricultura biodinâmica, praticada pelos partidários daantroposofia, corrente de pensamento formulada na década de 1920 pelo filósofo polonês Rudolf Steiner. Segundo ele, a saúde do solo, das plantas e dos animais depende da sua conexão com as forças da natureza.
Todo agricultor da biodinâmica guia-se por um calendário, criado há mais de 40 anos pela técnica alemã Maria Thun, que traz informações sobre a conjunção dos astros, ou seja, sobre as mudanças de posição entre a Lua, a Terra e os demais planetas. Orientado por essa “agenda dos astros” – que deve ser atualizada anualmente – ele “decifra” quais são os melhores dias para o plantio, a colheita etc. “Nas hortas biodinâmicas, além de uma data determinada, há também horários certos, por exemplo, para se fazer a colheita: geralmente no começo e no fim do dia”, esclarece Lazzarine Neves. “A influência dos planetas sobre as plantas acontece principalmente no cultivo, determinando quando se deve semear”, observa.
Ou seja, para os praticantes da agricutura biodinâmica, assim como acontece com o futuro dos homens, o destino das plantas também está escrito nas estrelas. Há mesmo quem leve essa convicção até as últimas consequências. É o caso do agrônomo Bernardo Thomas Sixel, do Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural, de Botucatu, que defende: “Os movimentos dos astros também podem ser observados na constituição das plantas”.
Sixel está realizando um estudo com árvores em que pretende mostrar suas ideias. Suas premissas: cada família vegetal tem uma relação planetária diversa e, seguindo a mesma lógica que rege os órgãos humanos no tratamento homeopático, as partes das plantas – caule, raízes, folhas, flores – recebem diferentes influências cósmicas.
Já para Lazzarine Neves, a influência cósmica sobre os vegetais é diferente da que afeta o ser humano, embora realmente existam analogias. “A Lua está relacionada à água, que por sua vez refere-se à vitalidade e fertilidade. O arroz, uma planta que tem forças lunares, estimula assim esses dois princípios. É por esse motivo que existe o costume de se jogar arroz sobre os recém-casados”, exemplifica. E, ainda na esteira da identificação entre os hábitos populares e os preceitos científicos, aponta: “A urtiga tem influências de Marte, o acônito sofre ascendência de Saturno, o hipérico está diretamente ligado ao poder do Sol e a pulsatila está relacionada à Lua”.

ERVAS E ASTROLOGIA: O USO MÁGICO DAS PLANTAS

Trocando em miúdos e fazendo um divertido exercício de livre associação: como se sabe, o contato das folhas da urtiga com o corpo humano produz ardência e irritação, devido à ação do ácido fórmico. Marte, segundo tradição popular, é o planeta que rege os princípios da guerra. O acônito – cujo nome se origina na palavra latina “acon”, que quer dizer “dardo” – foi amplamente utilizado por caçadores antigos, que molhavam as suas no veneno do tubérculo. Entre suas propriedades medicinais, ressalta-se a de ser um poderoso anticongestivo. Saturno, por sua vez, entrou para a história como o deus que devorava os filhos à medida que iam nascendo, por medo de ser destronado por um deles.
Já o hipérico tem sido muito celebrado ultimamente por suas propriedades antidepressivas, calmantes e restauradoras. O Sol, seu planeta segundo a agricultura biodinâmica, foi cantado pela mitologia de todos os povos – e a ciência atual não o nega – como a principal fonte de energia para a vida na Terra. Finalmente, a pulsatila é muito utilizada pela homeopatia para pessoas melancólicas, com tendências a derramar lágrimas por qualquer motivo. A Lua, que de acordo com Lazzarine Neves seria o astro que a influenciaria, corresponde, na mitologia, à pudica deusa Artemis, que proibia suas ninfas de manter relações sexuais e não permitia que ninguém a visse tomando banho. Pelo sim, pelo não, Lazzarine Neves admite, entretanto, que apesar de estar sendo estudada por institutos respeitados, como o de Botucatu, a relação das ervas com os astros ainda não é muito conhecida na prática, nem na biodinâmica nem na medicina.
A exemplo do que ocorre com a astronomia, a relação entre as plantas e a astrologia também é antiga. “A analogia entre astrologia e agricultura começa quando o homem se torna sedentário e percebe a regularidade dos movimentos celestes”, diz a astróloga e colunista do jornal Folha de S. Paulo, Barbara Abramo. De acordo com ela, existem registros dos tempos babilônicos que mencionam o cultivo e a colheita de ervas segundo a configuração astral. “Os funcionários da biblioteca do rei Assurbanipal sempre davam uma conferida no céu antes de tomar decisões sobre o deveriam plantar em cada época do ano”, conta a astróloga.
No cultivo relacionado à astrologia observa-se, basicamente, o ciclo lunar, já que este astro serviu como referência principal para a elaboração de calendários. Seguindo a tradição astrológica, pode-se dizer genericamente que a lua nova é a fase ideal para o plantio das sementes, a cheia é boa para a colheita e a minguante, para a poda.
Veja a relação entre os planetas, astros e as ervas, segundo a astrologia:
  • Saturno – ervas frias, secas, narcóticas e venenosas;
  • Júpiter – ervas moderadamente quentes e úmidas, aproveitáveis em grande parte e agradáveis ao paladar; frutas e ervas que crescem bastante e estão em contato com o ar;
  • Marte – ervas de sabor apimentado e acre, mas relativamente quentes e úmidas;
  • Sol – ervas quentes, que fazem bem à saúde e têm uso genérico, para muitos males;
  • Vênus – ervas moderadamente frias e úmidas, saborosas e agradáveis ao tato;
  • Mercúrio – ervas empregadas secas, que são agradáveis ao paladar, mas cuja maior parte é desperdiçada;
  • Lua – ervas frias e úmidas, às vezes muito utilizadas, outras não; ervas empregadas em bebidas, repletas de água.
Fonte:http://www.clickescolar.com.br/agricultura-biodinamica.htm

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