A NATUREZA CONTRA-ATACA: O QUE ACONTECE QUANDO ANIMAIS SELVAGENS E O HOMEM DISPUTAM OS MESMOS ESPAÇOS? - INFOGRÁFICOS
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A natureza contra-ataca: O que acontece quando animais selvagens e o homem disputam os mesmos espaços?
Encontros — por vezes fatais — entre pessoas e grandes predadores, como ursos, tigres, onças e crocodilos, tornaram-se mais comuns à medida que florestas encolhem e cidades avançam
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10/11/2025 07h00 Atualizado há 4 semanas
Infográficos: A natureza contra-ataca
Nas últimas décadas, a linha que separa o território humano do selvagem vem ficando cada vez mais tênue. Encontros — por vezes fatais — entre pessoas e grandes predadores, como ursos, tigres, onças e crocodilos, tornaram-se mais comuns à medida que florestas encolhem e cidades avançam. O quadro de colapso de ecossistemas naturais, agravado pelas mudanças climáticas, força esses animais a buscarem alimento e abrigo em zonas habitadas, num fenômeno hoje observado em vários continentes. A frequência desses episódios tem levantado questões urgentes sobre como equilibrar conservação e segurança pública, um tema que conversa diretamente com as discussões ambientais da COP30, em Belém.
URSOS
Encontros com ursos estão se tornando cada vez mais comuns em alguns países, impulsionados por aumento do número de animais sob políticas de conservação, restrições à caça e diminuição de seus territórios, levando os ursos a se aventurarem cada vez mais em terras agrícolas abandonadas, subúrbios e até cidades, em busca de qualquer fonte de nutrição. Embora ataques sejam mais raros, os encontros revelam um padrão preocupante de aproximação entre animais selvagens e humanos.

Um desses países é o Japão, lar de duas espécies: o urso-pardo-ussuri, restrito à ilha de Hokkaido , ao norte, e o urso-negro-japonês, que habita grande parte de Honshu, a maior e mais populosa ilha japonesa.
Segundo dados levantados pelo jornal local Yomiuri Shimbun, o número de ursos tem crescido nos últimos anos, sendo atualmente o triplo do registrado há uma década.

No continente europeu, a Eslováquia vive processo semelhante. A recuperação populacional dos ursos-pardos-europeus na Cordilheira dos Cárpatos, resultado de décadas de políticas de conservação, fez com que os animais voltassem a áreas onde haviam sido extintos.
Estima-se que o país tenha hoje mais de 1.200 ursos, segundo o Ministério do Meio Ambiente eslovaco, número considerado alto para um território de 49 mil km². Somente no ano passado, o país registrou 1.900 ataques.
Na Romênia, país com maior incidência de ataques de ursos no continente europeu, estima-se haver uma população de cerca de 13 mil em todo o país. Desde 2004, um total de 27 pessoas foram mortas por ursos no país, com 19 nos últimos cinco anos, segundo dados do governo romeno.

Na América do Norte, os incidentes entre humanos e ursos também chamam a atenção. Embora considerados raros em termos absolutos, há uma tendência de alta nas últimas décadas, segundo levantamento da Human-Bear Conflicts, de 2022, que analisou registros de 1880 a 2020.
Média de incidentes envolvendo ursos

População de ursos-pardos
Locais: Alasca, Montanhas Rochosas, Yukon, Territórios do Noroeste e norte da Colúmbia Britânica

População de ursos-negros
Locais: em todo o território do Canadá, mas mais concentrados na Colúmbia Britânica, Ontário e Quebec. Nos EUA, presente em 40 dos 50 estados.
FELINOS
A perda de habitat causada pela expansão agrícola, urbanização e mudanças climáticas, somada à recuperação de populações por políticas de conservação, também tem aproximado humanos e grandes felinos em diversas regiões do mundo...

...um exemplo é a Índia, lar de 14 espécies de grandes felinos, entre eles o leopardo. Estima-se que a população de leopardos em todo o território indiano seja superior a 13.800.
Estados com maior população de leopardos

Somente no estado de Uttarakhand, há registros oficiais de 214 mortes humanas e 1.006 ferimentos devido a ataques de leopardos entre 2014 e 2024.

Segundo dados do governo indiano, a população de tigres também aumentou.

378 pessoas
morreram por ataques de tigres no país entre 2020 e 2024.
Em muitos casos, os ataques ocorrem fora de reservas protegidas, em áreas rurais adjacentes onde há sobreposição entre habitat de felinos e atividades humanas.

Em outros casos, o comportamento dos animais é ditado por desastres ambientais causados por humanos. É o que vem ocorrendo no Brasil com as onças-pintadas.
No Pantanal, com menos presas naturais disponíveis por conta das queimadas, mais animais atravessam para zonas de borda próximas a comunidades humanas, aumentando os riscos de interação.

Estima-se que existam entre 4 mil e 5 mil onças-pintadas no Pantanal atualmente e mais de 10 mil no Brasil(com maior concentração na Amazônia).
RÉPTEIS
Em diversas partes da Ásia, América e África, répteis de grande porte também vêm protagonizando encontros cada vez mais frequentes com humanos. O fenômeno, embora distinto dos casos com mamíferos, obedece à mesma lógica: o avanço humano sobre habitats naturais, aliado a políticas de conservação, mudanças climáticas e à expansão agrícola, tem aproximado espécies antes restritas a zonas fluviais e florestais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5,4 milhões de pessoas são picadas por cobras todos os anos, resultando em entre 81 mil e 138 mil mortes por envenenamento, a maioria em regiões rurais da África e do sul da Ásia.
A Indonésia é um dos países mais afetados:

O país também enfrenta episódios extremos. Em julho, um fazendeiro de 63 anos desaparecido em Majapahit, no distrito de Sul Buton, foi encontrado dentro do corpo de uma píton de oito metros. Caso semelhante ocorreu em junho de 2024, quando uma mulher de 45 anos foi engolida por uma píton de cinco metros em Kalempang, no Sul de Sulawesi.

Crocodilos também estão entre os répteis que mais causam mortes humanas no mundo: a estimativa é de 1.000 mortes por ano, especialmente em países da África Subsaariana e no Sudeste Asiático, embora esse número possa ser maior devido à subnotificação em muitas regiões.
Número de ataques e mortes entre 2015 e 2024
Na Tanzânia,Moçambique e Papua-Nova Guiné, o aumento da ocupação de áreas ribeirinhas e a pesca artesanal em zonas de mangue ampliaram o risco de ataques.

No México e nos Estados Unidos, também há registro crescente de incidentes com crocodilos-americanos e jacarés, impulsionados pela urbanização de áreas de pântano e pelo aquecimento global (maior risco de seca e diminuição de alimentos), que expandem o alcance desses animais.
Fontes: Ministério do Meio Ambiente do Japão; Ministério do Meio Ambiente da Eslováquia; Ministério do Meio Ambiente da Romênia; Human-Bear Conflicts; Departamento Florestal de Uttarakhand; Ministério do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas da Índia; CrocAttack; Organização Mundial da Saúde (OMS)
https://infograficos.oglobo.globo.com/mundo/a-natureza-contra-ataca.html?_
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